#7: Conteúdo de qualidade exige recursos

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  • Miguel Nakajima Marques

    Olá Adriano e Danilo,

    Alguns pontos que eu acredito que posso contribuir para o debate:
    – Concordo com vocês que a Internet possibilita que pessoas que tenham gostos extremamente nichados possam se reunir para trocar ideias e, eventualmente produzir conteúdo voltado para aquele nicho. (um exemplo bem comum no mundo de podcast são os vários programas que nasceram de pessoas que frequentavam os mesmos fóruns sobre o assunto)

    – Eu concordo quando é dito que essa geração está acostumada com o modelo de conteúdo e monetização vindo das mídias tradicionais, porém vejo que existe uma geração formada principalmente pelos nascidos depois do ano 2.000, que está encarando as várias mídias disponíveis de forma bem diferente do que a nossa geração (como vocês, eu sou da década de 80). Cada vez mais colegas de trabalho da minha idade estão dizendo que os filhos já não toleram as mídias tradicionais por causa do modelo de publicidade. É comum ouvir que “meu filho não entende por que o programa de TV tem intervalos para propaganda”. Essa geração está acostumada a ter aplicativos que você pode usar sem pagar e ter propaganda ou pagar por aquele conteúdo e não ter propaganda. Essas pessoas gradativamente terão mais poder aquisitivo e alcançarão cargos de liderança, mudando a maneira como “o dinheiro pensa”. Talvez isso force o modelo econômico para geração de conteúdo na Internet para um lugar mais saudável.

    – Sobre a infra-estrutura complexa que é necessária para produzir e manter o conteúdo on-line, já existem modelos (ainda bem pequenos) de infra-estrutura onde é possível “pagar a cada camada o que lhe é devido”. Nesses modelos quem hospeda o conteúdo cobra uma mensalidade para acesso dos produtores de conteúdo à plataforma. Essa mensalidade varia de acordo com as necessidades de cada cliente. Assim como quem hospeda, quem divulga também recebe dinheiro diretamente de quem produz.
    Admito que esse modelo ainda é intrinsecamente complexo pois (como foi dito no episódio) são muitas camadas para possibilitar a publicação e veiculação do conteúdo.

    – Finalmente gostaria de citar dois exemplos que estão se sustentando no modelo do patronato:
    O pessoal do Jogabilidade: (www.jogabilida.de): Atualmente eles recebem quase R$12.000,00 por mês o que sustenta completamente duas pessoas (André e Sushi), sendo que o terceiro componente do grupo (Caio Corraine) tem um trabalho por fora. A maior parte do conteúdo deles é disponível de graça (a exceção são os extras das gravações).
    A revista Dragão Brasil: Uma revista de RPG de mesa, editada no formato digital. Atualmente eles recebem quase R$25.000,00 por mês. Diferente do Jogabilidade, o conteúdo deles só está disponível para quem apadrinha o projeto.

    Pessoalmente eu acredito bastante no modelo do patronato, onde os consumidores do conteúdo sustentam diretamente a produção do mesmo. Ainda não sei se o melhor formato é o aberto (como o Debate de Bolso, Bola Presa etc) ou fechado (como a Dragão Brasil).

    Um abraço,
    Miguel Nakajima Marques