#18: Trabalho

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  • Jefferson Ricardini

    Cartinha longuinha aeee…. nem sei se vcs ainda leem os comentários aqui, mas vamos lá. Se alguém ler já não tive trabalho atoa. Estou aqui pra por um contraponto, mesmo concordando com vocês em vários dos argumentos e coisas pontuais meio que discordo do tom geral que o debata ganhou. Já aviso que sou prolixo, e isso vai ficar um pouco grande (como o leitor já teve ter reparado só de olhar pro texto), por isso vou tentar deixar o mais organizado possível.

    Primeira, não sou um desses maluco liberaloides que acham que o estado de que acabar e que tudo se regula sozinho. Entendo papel do estado e concordo com vcs no ponto de que o estado está ai pra mediar e equilibrar relações com desequilibrou de forças e as relações de trabalho é uma dessas relações.

    Agora vamos as críticas, gostei da introdução e como associaram todas as mudanças a liquidez das relações no século XXI. E como foram até neutros, deixando claro que não necessariamente as relações mais líquidas são melhores ou piores que as antigas relações mais sólidas, são apenas diferentes, nem melhores nem piores. Fiquei até impressionado qnd apontaram que a academia, e as teorias clássicas como o Marxismo e o próprio liberalismo clássico (estou ultimo adição minha), não dão mais conta de descrever e analisar essas novas relações de trabalho.

    O problema surge qnd lá pela metade Danilo (espero não trocar o nome de vcs, se eu troquei é só destrocar haahah) começa a justamente analisar essas relações com um arcabouço que me pareceu ser justamente mais marxista. Jogando justamente com conceitos marxistas, principalmente o de alienação. Justamente demonizando essas relações novas mais liquidas em detrimento das relações antigas e mais sólidas. Contradizendo justamente o começo do debate em que dão a entender que não tem um melhor eu um pior.

    Percebi que várias vezes o Adriano dar uma de advogado do diabo, e tentar explicar as coisas pelo lado da relação de trabalho mais liquida se dar pela fato de todas as outras relações também estarem. Um ponto que ele chamou a atenção e eu gostei, foi justamente que temos de tomar cuidado para não misturar as coisas. Não analisar as ralações nos setores agrário e industrial com o viés mais liquido das relações no setor de serviços e com isso prejudicar esses trabalhadores, que ainda estão aí e necessitam sim de uma relação um pouco mais sólida.

    Mas já veio o Danilo (Desculpa cara, to pegando no seu pé, né), de novo, puxar pro outro lado, e falar que não, não é apenas isso. Na verdade, as relações mais liquidas do setor de serviços estão erradas, e que os trabalhadores que se “sujeitam” a elas, estão sendo engados pela falsa ideia de liberdade, que na verdade não existe. E mais, esse discurso está ali de propósito, só pro cara ficar alineado e se permitir ser mais explorado pelo grande capital e blablabla. Análise da sociedade atual, com relações mais liquidas, com necessidades diferentes, com perspectivas e desejos diferentes, feita usando um arcabouço teórico marxista do seculo XIX. E pior. Análise de demonização, contrariando novamente o inicio do debate que tinha uma vibe mais vamos ter uma visão critica, mas vamos ter noção que não a sociedade liquida não é melhor nem pior, mas diferente da sociedade mais sólida.

    Por que, claro, concordo que temos de ter uma visão critica desse novo discurso, e dessas novas relações. Mas não acho que precisamos de um discurso combativo, como o nome já diz, o discurso combativo é realmente um discurso contra, que quer acabar com o discurso adversário pois está errado. Não quer entender, ou analisar criticamente o discurso antagonista, quer apenas combater. Pode-se dizer até que um discurso combativo nesse caso é um discurso reacionário, no sentido que temos uma mudança nas relações da sociedade, temos essa nova liquidez, e um discurso combativo teria como objetivo desfazer essa liquidez, e tornar tudo sólido de novo. Voltar pra trás, reagir à mudança, tornando-o um discurso reacionário. E pra que? Pra sociedade e suas relações voltarem a se enquadrar no arcabouço teórico escolhido. Já que do jeito que está hoje a academia não dá conta de entender, explicar e analisar essas relações de trabalho.

    Pegando o exemplo, Adriano deu do cara que mora numa kitnet no centro, não acha que precise de uma casa maior, de um carro, ou sei la mais oq e prefere no lugar de ter essas coisas pode mandar o chefe pra PQP e procurar outra coisa, pq é fácil, pq é tudo liquido, mais fugaz, e sociedade não vê mais com maus olhos fazer isso. Deixa o cara, ele tem sim a liberdade de fazer isso, e por que ele está errado? por que ele está sendo enganado? e mais… por que ele TEM que querer uma relação de trabalho sólida, e uma vida sólida, pra estar mais alienado? O Danilo, deu a entender justamente isso, que essa cara está apenas se enganando, é um alienado, está sendo explorado que esse cara não devia ser assim. O que ele deveria ser ou querer? E por que isso seria mais certo que ele quer ou é hoje, com sua kitnet alugada trabalhando de barista na starbucks por hora? Tem muito juízo de valor aí cara, e um juízo de valor que vilaniza essa nova relação, por conta de um anacronismo do arcabouço teórico empregado. E sim, o arcabouço marxismo é anacrônico, não adianta falar que o capitalismo é o mesmo, que desde sempre o importante é o lucro e é assim até hoje. Sim, o importante é o lucro, mas as relações de trabalho, as relações do capital com o trabalho, as relações das pessoas com o próprio capital mudaram. Justamente por isso que não estourou uma revolução proletária como Marx previu (sim, tivemos a revolução soviética, mas a URSS tava bem longe do que Marx previu). Não, teve essa revolução justamente por que a capital se adaptou, as relações mudaram, os discursos e narrativas mudaram. E mudaram de novo, e de novo… até chegarem nas relações liquidas de hoje.

    E pra fechar, sobre a situação nas agencias de publicidade, com profissionais preferindo pular de galho em galho em vez de se juntar e pressionar o dono da agencia. Não vejo problema nenhum em mudar de trabalho pra ganhar mais, isso não diminui os salários per se. Pensei cmg, se tanta gente continua mudando, e esse é modos operandi, as pessoas conseguem um outro trabalho ganham mais. Nem que seja um pouco mais. Se tem gente conseguindo trabalho ganhando um pouco mais, significa que as agencias ainda contratam gente pagando um valor mais. E quanto mais experiencia, qnt mais agencias o fulano passar, mais ele vai ganhar. Não tem como uma agencia de sucesso ter SÓ treine e estagiário. Se ela fizer isso vai ter só gente inexperiente, não vai ter bons resultados e vai perder espaço no mercado. Tudo bem, ela contratou um treine, o cara ficou 6 meses saiu, e ela foi e pegou outro. Mas esse treine que saiu, foi pra ganhar num cargo melhor em outra agencia. E certo que essa empresa que vai contratar esse treine, também em algum momento, contratou alguém um pouco mais experiente (ganhando mais), que foi treine em outra agencia, e também ficou só 6 meses nessa outra agencia e assim vai. Em algum momento esse profissional passou por tantas agencias que vai ter experiencia pra virar chefe de uma pequena equipe. E vai sair da agencia atual, e só entrar em outra se for pra ser como supervisor de um projeto, ou gestor de uma equipe. Resumo da opera, não é por que o seu plano de carreira está fixo e sólido numa empresa, que não existe nenhum plano ou progressão. Não é a empresa não vai promover quem já trabalha lá dentro, que ela não vai precisar de um profissional mais experiente. Em vez de promover alguém de dentro, ela vai contratar alguém de fora. De um jeito ou de outro, o profissional vai progredir na sua carreira,e a empresa vai precisar de um professional mais maduro e experiente. Não importa se numa relação de trabalho liquida, ou sólida.

    E é isso, tenhamos visão critica, temos que conhecer os problemas das relações atuais. Mas nada de discurso combativo, juízo de valor, e demonização, ainda mais defendendo o modo de vida anterior, por que antigamente que era melhor. rsrs

    enfim… uffa… é isso. E se vc chegou até aqui, meus parabéns. Você é muito paciente. haahahaha

  • This is ridiculous man

    é nesse podcast que vão me ensinar a achar um emprego? por que eu estou desempregado a 2 anos

  • Miguel Nakajima Marques

    Sobre fechamento de vagas devido a automação: Primeiro a carteirada: Eu estou cursando mestrado em Inteligência Artificial pela Universidade de Campinas (UNICAMP). Agora aos fatos: Durante as aulas conheci algoritmos de IA que fazem música, que escrevem textos e que jogam Go (e ganham de campeões mundiais). Tenho certeza que em alguns anos a automação irá chegar aos níveis criativos nas empresas. Por isso sei que tenho que preparar meus filhos para que eles saibam viver com emprego intermitente, algo como trabalhar por 2 meses para se sustentar por 4 meses sem emprego.