Retrô #5: Por que prendemos?

capa-s01retro05

Você também vai gostar de...

  • Leonardo

    1) Imaginemos que alguém cometa um crime hediondo, mas de algum modo fosse possível provar que essa pessoa nunca mais cometerá outro crime. Neste caso, o sistema carcerário seria dispensável? Sem necessidade de prevenção e de reformação do criminoso, não restaria mais NADA a dar conta no contrato de justiça da sociedade?

    2) Todo crime é explicável, ao menos virtualmente, pela influência do meio sobre o indivíduo/por problemas psicológicos que se sobrepõem à liberdade de escolha individual? Se duas pessoas são influenciadas por condições semelhantes, mas apenas uma delas comete um crime, o critério de reabilitação social e psicológica assumido pelo Estado não seria arbitrariamente parcial se aplicado apenas ao criminoso? Afinal, qual é a influência do crime em si nesse raciocínio?

    • Leonardo

      Fiz esses dois blocos de perguntas para tentar evidenciar algo que me parece que ficou de fora neste debate: a dimensão “punitiva” que o sistema penal representa e que o senso comum espera da Justiça. Foi dito que a revolta pela ressocialização do goleiro Bruno se dava por que pensam que o ser humano nasce pronto e que por isso só resta que criminosos sejam prontamente destruídos. Mas diante de uma pena branda a um crime hediondo (cujas tecnicalidades do processo não cabem ao senso comum) não é preciso caricaturizar tal extremo: é óbvio que um crime hediondo trai o pacto de segurança contra as atitudes toleradas em sociedade, o que deveria sublimar a dinâmica de violência e vingança com alguma racionalidade, esperada do Estado. Quando essa sublimação não acontece, o elemento purgativo não é sublimado e a Justiça fica pendente no senso comum: as pessoas, muitas vezes francas vítimas de violência, sentem que a força que deveria acionar a Justiça não está dando conta da única coisa que sublimaria a sua sede de vingança. As perguntas que fiz pretendiam expor essa dimensão punitiva, e a partir dela podemos pensar o que deve ser feito, mas não é suficiente ignorá-la e retratar o sistema carcerário como simples ressocialização (de novo: se fosse possível garantir que, após cometer um crime, uma pessoa nunca mais o cometeria, não sobraria NADA a lidar com esse ato?). De fato, dificilmente qualquer um de nós, passando por situação que desafie a noção de Justiça, negaria esse aspecto mesmo pessoalmente, independentemente de qual resposta julgar mais apropriada para ele.

  • Glauber

    Todos os podcasts filhos que eu ouço tem a musica de abertura mais legal que o podcast pai. Vide Fronteiras invisíveis do futebol